segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Qual é a Tua Verdade?

Nem tu o sabes
Te iludíste pouco a pouco
Num lastro curto de tempo
Jogaste longe a oportunidade
E abraçaste a insensatez
De tua arrogância te cingiste
"Não tenho medo de nada!"
Dizias tu...
E na soberba de tal desatino, caíste
Sem perceber que não passas
De um pobre, cego e nu
Apegando-te as pobres significâncias
Da pálida sombra de tua existência
Qual um tolo te bastaste
Aos outros imputaste ignorância
E toda ajuda refutaste
Teu bom senso e sizo
Jazem enterrados!
E o tempo de reconstrução
Tão oportuno, de ti mesmo
De forma vil desprezaste
E agora como encontrar a si?
Como construir sob a influência
Diabólica, maléfica e pérfida
Da completa falta de honestidade
Da total ausência de sinceridade
Do reflexo puro de teu egoísmo??
Castelo de areia é o que projetas
Na crendice irracional e imatura
De que não deves satisfação a ninguém
Que de tua vida, Nada!, outros tem
Haurindo toda sabedoria em tal postura
E então...
O que sobrou na realidade?
Que a verdade em ti já não ecoa
De tanto te entremeares
Nas teias pegajosas da falsidade
Proferes mentiras de cara-lavada
Sem constranger a razão
E a ti mesmo afirmas:
Jamais percebidas serão!
Mas o que não te atentas
É que tua falsificada verdade
A todos jaz escancarada
Fazendo de ti um ente patético
Digno apenas de piedade...
Porque és o único que se engana
És uma vida de falsidades
Vivendo num roda-moinho fútil
De puro egoísmo e vaidade
E em tua relutância inútil
Um assinti a mais débil inteligência
Te prendes sem clemência
Com cadeias de pura infelicidade
Nesta última verdade:
És um mentiroso covarde,
Fugindo de tua própria identidade!
(11/2010)

Verdade Nua e Crua

Como lidar...
Com a diferença?
Tão antagônica,
Anacrônica,
Incoerente?!
Como dizer ao outro
O racional?
De sua irracionalidade latente,
De sua cognição preguiçosa,
De sua atitute idiota e poeril,
De sua ineficiência insipiente,
De sua contradição hipócrita,
De sua deselegância altissonante,
Infestada de palavras rotas
E movimentos vulgares
Carência vil a necessitar olhares!
Como falar o que não se diz?
Das suas porcarias,
Da suas porcas manias,
De toda sua imatura ironia,
De sua total falta de sabedoria;
Fruto de sua solidão de alma
Do vazio, oco, de seu pensamento,
De uma existência vazia,
De sua falsa alegria...
Como?? Como dizer com sensatez?
Como concaternar com a lucidez?
Quando o que se encontra é irreal...
São só máscaras!
Para o medo mórbido
Do confronto com a realidade,
Nua e crua de seu vazio existencial.
De toda uma vida fútil!!
Centrada apenas no momento presente,
Na satisfação própria e inconsequente
E no fazer do outro um objeto conveniente!

(23/11/2010)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Rafaela

E a vida nos brindou
Com outra vida
De saúde, repleta
Trazendo alegria plena
Num sentimento perfeito
Que não se descreve
Com imperfeitas palavras
Apenas se vive o momento
Agradecido e Satisfeito

A cada esperança
A cada novo movimento
A cada boa lembrança
Descobrindo antigas semelhanças

A vida se faz pequena
Para permitir o recomeço
na felicidade de um nascimento
Para dar uma nova chance
ao nosso amadurecimento
Para escrever uma nova história
sem muitos arrependimentos
Para reciclar as possibilidades
do novo, do correto, do desenvolvimento

A cada novo som
A cada descobrimento
A cada interação
Deste mundinho em florecimento

A vida se mostra grande
Para diluir a dor recente
Para superar a subta diferença
Para resgatar a criatura ao Criador
Para nos ensinar o verdadeiro amor
Para gerar um encantamento
Inabalável, em nós, inexorável
Pela Vida!

(09/2010)

Coração Carioca

É bom estar de volta
E ter à volta a tua beleza
Que serpenteia veloz
Pela orla da Zona Sul
Em monolitos curvilíneos
De trejeitos femininos
Que adoçam o olhar da gente

É bom receber o teu abraço
E estar nos braços da civilização
De modernidades diversas
Da mistura do mundo
De gente descomplicada
De riso fácil e conversa farta
Cosmopolita e envolvente

Que bom reencontrar os trilhos
Das tuas trilhas naturais
Que insurgem audaciosas
Quebrando a monotonia concreta
Teimosia em tons de verde
Na paisagem metropolitana
Resgatando-nos do reboliço
Da insana violência urbana

(22-09-2010)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Quietude

Quieta e calma a hora passa
Findam-se os períodos, silentes...
Desta minha sobrevivência monástica
Destes meus momentos ausentes...

Estou a contemplar serena
A esperança que brinca ao longe
Por entre pilastras da humana psiquê
Com o futuro, este que sempre me foge

Estou a observar tranquila
Dos artifícios cognitivos, os movimentos
Que se balançam e se arriscam
Entre as teias do racionalismo e dos sentimentos

Quieta e calma é a forma
Que desta vez adotei como norma
Para me rebelar contra a realidade
Contra a imposição das dificuldades
Da vida, da não comunicação, da saudade!

(16-03-2010)

terça-feira, 16 de março de 2010

Eu Lírico

O poeta é grande
de alma, ampla,
bem iluminada.

De luz, densa,
que em si só
não cabe, se dilata.

Sobeja na profusão
de Palavras
a formar versos.

Transborda em sentidos
nas significâncias
pelos avessos.

Expande o entendimento
da emoção, do momento,
nos limites do discurso da razão.

Retrata sua enormidade
de mente, de alma,
de cérebro, de coração.

Tudo é possível ao ser
de se querer, de se sofrer,
de se viver, de subverter.

Mas concordo sem vaidade
que do poeta, a realidade,
sua verdade triste
não é possível o resolver.

(16-03-2010)

Projeção

Não me diga como reagir
Não me limite ao teu egoísmo
Enquadrando-me em teu falso altruísmo
A velar um sínico sectarismo

Não me subtraia a intensidade
Das reações e emoções com que vivo
Com que me movo e me expresso
Porque te incomoda a minha liberdade

Não me esconda em teus temores
Querendo mensurar minhas dores
Com a régua inconsistente de tuas carências
Da não vivência de teus amores

Não me amarre em teu tempo
Do que é plausível ou não
Baseado em teorias e retórica
De quem não coexisti na ampulheta
De areias movediças a subverter a razão

Não me aprisione aos teus conceitos
De neófitos e pobres argumentos
Morejos imaturos de uma egocêntrica psiquê
Que esmorece ante a coragem da experiência
Ignorando as possibilidades da existência

Não me roube, das palavras, a pureza
Distorcendo-as em teus melíndres
Na escura timidez de teu obtuso mundo
De janelas mas sem portas, sem incerteza
Sem risco, sem ousadia, superfial, nada produndo!

(12-03-2010)